quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Do nosso sistema de saúde

Ou de como as pessoas não passam de números:
Penso que já referi aqui que o Gustavo anda há uns tempos com uma tosse persistente. Depois de muitas idas ao médico sem nunca se descobrir a causa daquilo, numa das últimas consultas foi colocado a apanhar máscaras e veio com uma medicação que durou um mês. No fim da medicação devia ir à médica de família para ser encaminhado para um alergologista.
Para se conseguir consulta na nossa médica de família, ou se marca por telefone no último dia do mês (nesse dia marcam todas as do mês seguinte), ou se vai para lá às 4h da manhã (o que é impensável com uma criança de 7 anos).
Como a medicação estava a acabar, eu, no final de Setembro, marquei logo a consulta para outubro.
Fomos à consulta, explicámos o que se tinha passado, qual a medicação que tinha feito e que ele, apesar de ter andado bem durante o tempo em que tomou a medicação, já estava com tosse outra vez.
Ela achou por bem mandá-lo fazer testes às alergias e, quando tivéssemos os exames prontos, devíamos ir lá mostrar.
Ora, sabendo que só no final de outubro é que posso marcar outra consulta (consulta essa que só se irá realizar em novembro), não podendo ir para lá com ele às 4h da manhã e vendo a tosse a ficar pior de dia para dia, eu descobri o dia em que a médica atende no SAP e na segunda-feira fui lá.
Depois de ter estado 1h30 à espera, vou para fazer a inscrição e a funcionária diz-me que a médica não o vai atender porque não vê exames ali. Eu lá lhe expliquei que ele continua com tosse e que é impensável ir para o centro de saúde às 4h da manhã com uma criança de 7 anos, mas ela decide chamar a médica e explicar a situação. A médica diz que não vê exames ali, que são só urgências, etc (estávamos 4 pessoas para consulta).
Eu mantenho a minha posição, que aquilo efectivamente é uma urgência, uma vez que ele continua com tosse, e lá me deixam marcar a consulta.
Entrámos, expliquei a situação e ela recusa-se a ver os exames.
Eu volto a insistir que ele continua com tosse e, qual não é o meu espanto quando ela diz que lhe vai receitar a mesma medicação que lhe tinham receitado no pediátrico e ainda me pergunta quais foram as quantidades receitadas.
Estamos a falar de medicação forte (Singulair), com efeitos secundários que incluem tremores, mau-estar e palpitações.
Eu não digo que ele não precise de tomar isto, mas não lhe custava nada ter visto os exames antes de estar a receitar medicação que pode nem ser a mais adequada.
Em relação ao exame, perguntei como fazia para o mostrar e ela informou-me que, no caso de exames, não precisa de ver o doente. Basta deixar lá e ela depois informa a funcionária das medidas a tomar.
Claro que não comprei os medicamentos e claro que ele vai ser visto por outro médico.
Em relação à medica de familia e a toda esta situação, ainda não sei muito bem o que fazer. Por um lado não me apetece muito chatear, mas por outro, é por toda a gente ficar calada que estas coisas acontecem.

1 comentário:

  1. Infelizmente, em certos serviços, o nosso país está a regredir numa coisa que até estava relativamente evoluída e no bom caminho! A ver vamos o futuro...

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